Dubas

Dubas é uma gravadora criada pelo compositor e produtor Ronaldo Bastos, a convite de quem cheguei em 1998.

O trabalho na Dubas me colocou dentro do processo de produção de música gravada, nos primeiros dias como um assistente de produção e logo em seguida ampliando o leque de atividades: o relacionamento com artistas, o tratamento do produto para fabricação – matrizes de áudio, conteúdo editorial, material gráfico – e o suporte de marketing às equipes de vendas eram então exemplos de funções distantes da minha formação ligada à Comunicação.

De minha experiência anterior como radialista e do trabalho em redação, eu passei ao outro lado da mesa, para escrever o material de imprensa dos novos discos, fazer os textos de algumas contracapas e encartes e cuidar do relacionamento com os jornalistas de música e emissoras de rádio de todo o Brasil. influenciadores fundamentais na construção de interesse do público desejado.

Na Dubas, como um selo não pertencente às grandes companhias de música, a equipe reduzida e os desafios de um posicionamento ambicioso no setor ofereceram a mim e aos colegas circunstâncias de crescimento com autonomia. A experiência me proporcionou a visão e a prática do funcionamento abrangente de uma gravadora em um país grande como o Brasil, num período em que o comércio físico era o principal foco e a rede de varejo era extensa por diversas praças.

Por outro lado, o catálogo de produtos era dirigido a um nicho de consumidores de perfil mais sofisticado, ficando bem abaixo do potencial de vendas dos discos populares no mercado doméstico. Assim, a busca pelos resultados comerciais do uso de fonogramas evidenciou o caminho da internacionalização, o que abriu outras frentes de gestão executiva: a promoção de exportação dos produtos manufaturados no Brasil e o licenciamento de direitos fonográficos para edições estrangeiras.

Além das gravações de artistas em desenvolvimento, a Dubas se caracterizou por produzir no formato de CD títulos até então lançados apenas em LPs, gerando valor a partir da qualidade das edições (com textos especiais, depoimentos, entrevistas e arte gráfica refinada). Outra linha de atuação que obteve êxito foi a de compilações temáticas, distintas do padrão de “grandes sucessos” e identificadas com perfis ou tendências de consumo de lazer. Estas duas vertentes ainda demonstram potencial de adaptação e bons resultados na comercialização de música via transferência de arquivos digitais.

A Dubas também é uma editora musical com um acervo relevante de autores pós-anos 2000 e é representante brasileira de catálogos estrangeiros. Nos seis anos em que lá estive, pude colaborar na gestão de repertório dos autores brasileiros e no tratamento das obras internacionais licenciadas para o Brasil.

Minha colaboração com a Dubas se encerrou em 2004, em um momento bastante longínquo e oposto ao da entusiasmante ressureição da indústria da música como podemos acompanhar agora. O aprendizado do desenvolvimento de propriedades e de gestão de produtos de nicho permanece valioso e tem muito a acrescentar às oportunidades e necessidades atuais do marketing digital de música.

Outras histórias e experiências de trabalho com a Dubas aparecem neste domínio, apresentadas pelos discos de cujas produções participei.