Locutor de esportes

Na segunda metade de 2012 eu decidi aprender a narrar futebol. O caminho até esta resolução merece outro relato, à parte. Mas a motivação com certeza teve nascedouro na infância, na admiração que desde pequeno a comunicação de esportes me causou. O primeiro atrativo para a minha capacitação foi o treinamento oferecido pelo locutor Edson Pereira de Melo, o Edson Mauro, um alagoano que chegou na Rádio Globo do Rio antes de eu nascer e ainda hoje narra os jogos de futebol na emissora. Há alguns anos ele realiza este curso, de curta duração, do qual já saíram alguns jovens profissionais de microfone – inclusive da turma que eu frequentei, em setembro de 2012.

Terminado o treinamento, e após uma visita às cabines de rádio do Engenhão, o primeiro a me dar uma oportunidade foi o locutor Paulo Cesar Rabello – que merece ser reconhecido por abrir as portas para os que buscam as primeiras experiências. Na Rádio Grande Rio, uma emissora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, eu fiz as primeiras entradas durante a transmissões de jogos e ainda em 2012 narrei meus primeiros jogos. No ano seguinte, passei a participar das transmissões também como comentarista.

Outra oportunidade que recebi logo de início foi dada por Rogério Nunes, empresário do Futrio, projeto dedicado à cobertura de todos os clubes de futebol do Estado. No mesmo 2012 eu comecei a narrar jogos para a webrádio Futrio, tendo a sorte de acompanhar a trajetória do Fluminense ao se tornar campeão brasileiro no ano.

No Esporte Interativo, também em 2012, pude participar do projeto Arquibancada Oi, um serviço pela web com narração ao vivo das partidas em que a TV não tinha direitos de transmissão.

Entre 2013 e 2015, participei do projeto liderado pelo narrador Marcelo Barros na Rádio Família FM, do Rio, que adquiriu os direitos e transmitiu os jogos da Copa do Mundo do Brasil em 2014. Este convite me permitiu narrar jogos da Copa e de outras competições, comentar em partidas e programas de debates, integrar-me a uma comunidade de ouvintes amantes do futebol e aprender com colegas muito talentosos e dedicados ao esporte.

Também pude participar, em jogos no Maracanã, de experiências de narração audiodescritiva, em um projeto implementado pela Urece para oferecer transmissões de futebol a pessoas com deficiência visual, com metodologia e linguagem ainda em desenvolvimento no Brasil.

Transmitir esportes ao vivo é uma atividade extremamente prazerosa, desafiadora das capacidades de relato sem roteiro, desenvolvimento da prosa e utilização dos aspectos dramáticos de narração. Coloca a missão responsável de informar e descrever desempenhos individuais e coletivos ao lado da oportunidade de irradiar emoção e descontração atendendo demandas por entretenimento.

Meus outros trabalhos com comunicação e as funções executivas ocupam espaço mas, mesmo quando menos frequente, a narração de esportes sempre conserva um lugar importante nesta jornada de comunicador.